25/05/2020 - Marco Fabossi - Vulnerabilidade é um Ato de Coragem (Liderança)

Vulnerabilidade é um Ato de Coragem (Liderança)

O navio estava prestes a ser atacado por um navio pirata. Percebendo que a tripulação começou a entrar em pânico, o Capitão ordenou:

– Por favor, tragam minha camisa vermelha!

Ele a vestiu e liderou a tripulação na batalha contra os piratas, que foram massacrados. A tripulação não entendeu muito bem o motivo da camisa vermelha, mas ficou feliz que tudo deu certo.

Dias mais tarde, dois navios piratas se aproximaram, e quando foi informado, novamente o capitão solicitou sua camisa vermelha, e em poucas horas colocaram os piratas pra correr.

À noite, sentados no convés relembrando os eventos do dia, um marujo olhou para o Capitão e perguntou:

– Capitão, por que o senhor veste a camisa vermelha antes das batalhas?

– Quem bom que perguntou! Se eu for ferido na batalha, a camisa vermelha impedirá que vocês vejam o sangue, e assim, como eu, continuem a lutar bravamente. Se perceberem que o seu líder está ferido, podem ficar receosos de seguir na batalha – respondeu o capitão. Os marinheiros ficaram em silêncio, olhando e admirando aquele líder pela coragem e pelo cuidado com sua equipe.

Na manhã seguinte, contudo, os piratas se rearmaram e apareceram com dez navios para enfrentá-los. Quando os navios piratas foram avistados, a tripulação ficou em silêncio e olhou para o Capitão, que calmamente ordenou:

– Por favor, tragam minha calça marrom!


Ser perfeito é uma condição muito sedutora, mas irreal.

O perfeccionismo é, em geral, um movimento de defesa que nasce no ego, uma tentativa de obter aprovação, um jeito de tentar corresponder às expectativas dos outros, uma forma de tentar evitar a vergonha, enfim, um muro que, em vez de nos proteger, nos impede de sermos vistos como realmente somos, afastando de nós a possibilidade de nos mostramos como pessoas autênticas.

Nesse mundo rápido, digital, exponencial, ágil e em constante transformação, em que o aprendizado não acontece apenas pela aquisição de conhecimento, mas pela ousadia em experimentar, de “errar rápido para aprender rápido”, é um tanto utópico pensar em perfeição.

É por isso que, ao contrário do que muitos pensam, vulnerabilidade está bem longe de ser uma demonstração de fraqueza e fragilidade; vulnerabilidade é um ato de coragem; coragem para assumir que somos imperfeitos; coragem para acreditar que estamos numa jornada de crescimento e desenvolvimento, e que tanto o erro como o acerto fazem parte desse caminho; coragem de reconhecer que, por melhor que possamos ser, ainda existem muitas oportunidades de melhoria em nossas vidas; coragem de dizer “eu não sei”; coragem para ajudar e pedir ajuda; coragem para tentar algo novo, conscientes de que cometeremos alguns erros no meio do percurso; coragem para reconhecer nossos erros e buscar consertá-los da melhor maneira possível; coragem para tirar a armadura e sermos nós mesmos, de sermos autênticos, de nos mostrar sem máscaras, permitindo que as pessoas à nossa volta saibam verdadeiramente com quem estão se relacionando; coragem!

O fato é que a incerteza, os riscos e a exposição emocional que enfrentamos diariamente não são opcionais; portanto, para que consigamos nos manter íntegros e autênticos, o grito da coragem de ser vulnerável precisará ecoar mais alto. Porque, assim como a luz brilha mais forte no escuro, a coragem não existe no vazio: ela é uma resposta a situações desafiadoras.

Como diz Brené Brown, maior autoridade mundial no assunto, “vulnerabilidade não é conhecer vitória ou derrota; é compreender a necessidade de ambas, é se envolver, se entregar por inteiro”. Vulnerabilidade não é uma questão de ganhar ou perder, de ser bom ou ruim, de ser grande ou pequeno, mas de reconhecer que tudo isso faz parte da vida.

E ao abrir espaço para que a vulnerabilidade faça parte da nossa vida, permitimo-nos envolver e nos entregar por inteiro à busca de um nível de equilíbrio que permita nos adaptar às demandas do cotidiano, e que também nos liberte para viver de maneira autêntica.

É por isso que aquele aviso de “Desculpe, estamos em obra para melhor servi-lo” que geralmente vemos em shoppings, lojas e estradas poderia facilmente fazer parte dos dizeres das nossas camisetas, porque é assim que somos: seres humanos únicos e especiais, com conhecimentos, habilidades, dons e talentos maravilhosos, mas inacabados, incompletos e imperfeitos, buscando melhorar um pouco a cada dia, para que possamos utilizar aquilo que temos para construir um mundo melhor para todos.

Estamos vivendo tempo nunca imaginados por esta geração, experimentando situações completamente inusitadas e desconhecidas, e tendo que tomar importantes decisões sem saber exatamente o que fazer. Um tempo em que o medo e a insegurança tendem a aparecer com maior força e, por isso, mais do que nunca, um tempo em que a coragem de ser vulnerável, de reconhecer que não temos todas as respostas, que não sabemos exatamente o que fazer (porque nunca passamos por isso antes), e que precisamos uns dos outros para superar essa situação. Portanto, mais do que nunca, precisamos fortalecer a empatia, a vulnerabilidade e a cooperação em nosso cotidiano pessoal e profissional.

Empatia para que líderes se coloquem no lugar de suas equipes e percebam que as pessoas estão passando por um momento de medo e insegurança, e precisam de cuidado, atenção e transparência, assim como empatia por parte das equipes para que se vejam no lugar de seus líderes que talvez não saibam exatamente o que fazer e, por isso, precisam de sua ajuda. Vulnerabilidade para que todos nós reconheçamos que ainda não temos as respostas, e que somente as conseguiremos quando trabalharmos juntos por meio da Cooperação, porque juntos somos mais fortes.

E nem seria necessário dizer que, como líder, você deveria ser o primeiro a trazer estes ingredientes para o ambiente corporativo por meio do seu exemplo, lembrando que não existem líderes perfeitos, mas tampouco existem líderes que não estejam em aperfeiçoamento, portanto, mãos à obra!

Um Grande Abraço,

Marco Fabossi

 


Voltar

Compartilhar

Todos os direitos reservados ao(s) autor(es) do artigo.

×