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Marco Fabossi - O Poder do AINDA (Liderança)

Pitágoras, um dos mais importantes filósofos e matemáticos da antiguidade, aplicava um teste interessante aos candidatos que desejavam ingressar na escola pitagórica e ser iniciado em seus conhecimentos. O candidato deveria entrar em uma sala, passar a noite sozinho, e resolver um problema matemático.

O que os candidatos não sabiam é que o problema não tinha solução. O objetivo do teste, de fato, era saber como o candidato iria lidar com o não-saber; como ele se sentiria, como reagiria e o que diria depois de uma longa noite tentando resolver aquele problema.

Os candidatos aprovados no processo seletivo eram aqueles que conseguiam lidar bem com o seu não-saber, e pela manhã geralmente diziam:

– Poxa, eu não consegui resolver o problema. Tentei muito, mas não deu. Sinto muito, mas, de qualquer forma, eu gostaria muito de saber como resolvê-lo.

Já os reprovados eram aqueles que não conseguiam lidar bem com o seu não-saber, demonstravam sentimentos de ira, raiva, tristeza e decepção, e se comportavam de maneira agressiva porque entendiam que o fato de não terem conseguido, os tornava pessoas “menores”, menos inteligentes e falhas. Eles geralmente diziam:

– Isso é um absurdo! Como vocês ousam aplicar esse teste para a minha pessoa? Vocês tem que fechar essa escola! Eu nunca mais voltarei aqui!


Segundo Carol Dweck, psicóloga e professora na Universidade de Stanford, existem dois Modelos Mentais básicos que influenciam diretamente no aprendizado e no desenvolvimento das pessoas: O Modelo Mental “Fixo” e o Modelo Mental de “Crescimento”.

As pessoas com Modelo Mental “Fixo” acreditam que chegaram ao seu limite de aprendizado, e que a vida é assim: uns nascem mais inteligentes que outros, portanto, aos que não tiveram essa sorte, só lhes resta as opções de conformar-se ou revoltar-se, oscilando entre tristeza e agressividade. Essas pessoas acreditam que: “Eu cheguei ao meu limite. Quando eu estiver frustrado, melhor desistir. Eu não gosto de ser desafiado. Quando eu falho, fracasso. Feedback é ruim! O seu sucesso me ameaça. Eu não vou conseguir”. E por acreditarem nisso, ficam estagnadas.

Aqueles com Modelo Mental de “Crescimento”, contudo, acreditam que AINDA não sabem, mas podem aprender. Acreditam que o não-saber é temporário, que o erro faz parte do processo de aprendizagem e, por isso, buscam incessantemente por possibilidades e oportunidades de melhorar o que sabem e o que fazem. Eles acreditam que: “Eu posso aprender o que eu quiser. Quando eu estiver frustrado, vou perseverar. Eu preciso desafiar-me. Quando eu falho, aprendo. Feedback é fundamental para o meu crescimento. O seu sucesso me inspira. Eu AINDA não consegui”.

E o líder é um dos principais agentes de estabelecimento desses Modelos Mentais. Quando faz do erro um motivo de punição; quando cerceia a criatividade das pessoas; quando não as desafia; quando usa o feedback como instrumento de crítica e desmerecimento; quando deixa claro acreditar, através de suas atitudes, que as pessoas chegaram ao seu limite, e que não podem ser melhores do que são, empurra-os em direção ao Modelo Mental “Fixo”.

Porém, quando utiliza o erro como um degrau para o aprendizado; quando instiga a criatividade das pessoas por meio de perguntas poderosas; quando as empodera, delega e desafia; quando utiliza o feedback sincero e honesto como ferramenta de desenvolvimento, enfim, quando suas atitudes demonstram acreditar que as pessoas AINDA não chegaram ao seu limite, estabelece então uma cultura do Modelo Mental de “Crescimento” e, como resultado, ajuda as pessoas a se tornarem o melhor que podem ser, melhora o clima organizacional, forma equipes autônomas e engajadas, forma novos líderes, e conquista os melhores resultados.

E então, você ou AINDA?

Um Grande Abraço,

Marco Fabossi

 


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